sexta-feira, 15 de julho de 2011

O dia chega...

'Esclarecida, estava exposto em sua face que cansou dos esconderijos, embora certa vez, de trás de uma porta, fora bastante convidativo.'

Queria ela perder a memória a arrancar o passado dos seus dias novos. Tão novos que percorria o mesmo trajeto, usava o mesmo suéter, o mesmo par de tênis all star, o mesmo olhar de sempre escondido por trás de uma lente embaçada, a mesma lente embaçada, mas queria crer que havia mudado e ninguém seria tolo de dizer-lhe o contrário.
Seguia seu emocionante caminho monótono, numa cidadezinha mais monótona ainda. Mas certo dia acordou num lugar diferente, cercada de gente por todos os lados, uma bagunça, verdadeira confulsão, organizada de certo modo.
O seu sorriso abriu, o óculos caiu e a bochecha corou, olhou em frente outros olhos tímidos que no princípio desviavam os seus, bochechas vermelhas pra combinar um pouco com as dela talvez, seguiram o caminho procurando dar fim a timidez.
A tela grande, o lugar todo escuro, o cenário perfeito com uma platéia mínima e um filme bastante complexo ou talvez não fazia nexo querer mesmo ver o filme. Esperou uma aproximação, foi o que teve então, uma chegada tímida, e os lábios se tocaram, os dedos encaixaram e certamente os corações dispararam. (ou assim já estavam)
O quarto na penumbra, os tênis jogados de qualquer forma no canto, e o dia veio tão rápido que não deu nem tempo de dormir. Estavam assim, se completando, conhecendo o que já conheciam há tempos, mas enfim levando isso a um rumo que nunca havia existido anteriormente.
Escrevia poemas e tinha um blog, tinha porquinhos da índia como bichinhos de estimação e morava sozinha. Uma negação na cozinha, e cozinhava com todo carinho. Trabalhava o dia todo e descansava a noite, estudava o dia todo e estudava um pouco mais a noite. Mora aqui, mora láá. Mpb e Rock'n Roll, Rock'n Roll e mais Rock'n Roll, é, vem dando certo desde então, a menina que queria mudar o mundo, deixou seu mundo ser mudado por alguém.




'tudo que eu sempre quis tava ali, você chegou'

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aconchego

Sento na poltrona e ligo a vitrola empoeirada que fica lá no canto escuro, aconchegante. As músicas de outrora não se repetem mais e nem a voz que as canta não me trás a emoção que trazia. Viro o disco e a mesma coisa, nada mudou, ou melhor tudo mudou.


No meu cantinho eu fico, sozinha. As vezes busco aconchego em outros cantos, cantos que não me pertencem mais.


Ali no cantinho, colo meu ouvido no rádio velho e espero pacientemente que a canção toque novamente. Nunca me vi tão otimista, mesmo sabendo da verdade...






again.

Acordei bem cedo hoje, talvez pela ausência do sono, ou pelo fato das idéias martelarem demais minha cabeça.
Organizei as coisas ao meu redor, e reorganizei minhas formas de pensar, de agir, sentir.
Juntei tudo numa caixa, razoavelmente pequena, enfim, mas coloquei ali dentro tudo que restou em mim. Sabe não me restou, rancor e nenhum sentimento ruim, que machucasse, além é claro da saudade, mas no fim ela nem é a vilã, porque somos capazes de sentir saudade somente do que realmente marcou, e tudo isso que se repetidamente cansa.
Engraçado é ver o clarear das coisas quando a nuvem negra passa, quando o 'tornado' leva as idéias ruins. Engraçado mesmo é ver que você parou aqui, de novo. *-*
Vira e mexe, a gente se junta, se monta, volta, muda velhos hábitos, adota novos, conhece pessoas novas, volta às velhas e boas, e sobre o amor, tenho a dizer-lhe que é uma caixa de surpresas a cada dia.
E que bom te ter aqui, seja bem vinda, de novo!

domingo, 8 de maio de 2011

Mónologo da amnésia

De mim, não lembro nada.
Lembro sim que bati a cabeça naquela noite enquanto voltava de um bar.
Lembro que a noite caia triste e o sol já mostrava os primeiros raios.
Sei também que carregava uma espécie de caixa, essa ao lado da minha cama.
Lembro vagamente de ter visto um olhar e um sorriso sincero, sincero, sincero.
Aos poucos me lembro, mas por enquanto, me deixe dormir, me deixe interpretar e assim fingir que bati a cabeça com tanta intensidade capaz de apagar as lembranças. (Seguras lembranças). Me deixe, deixe...
Deixe fazer meu monólogo, meu teatro, me deixe calar quando eu sentir necessidade, mas por favor deixe eu me expressar, porque sou gente, e necessito.
Lembro que carreguei essa caixa pesada por cada canto e lembro de alguém ter me dito certa vez que me achava muito 'forte', apesar do meu porte. Lembro que me disseram pra acreditar, pra esperar, mas chega de perguntas, não lembro de mais nada, por favor se retire e apague essa luz, eu lembro que a intensidade dela ofusca meus olhos, e minha visão já está meio atrapalhada.
Anda logo, tá olhando o quê?

Gente.

Tanta gente vazia, tanta gente cheia, cheia de si própria,
procurando um complemento pros seus dias, buscando o desconhecido, só por acreditar que não se pode completar-se sozinho.
Tanta coleção de histórias, dores, cicatrizes compartilhadas noite a fora.
Gente louca, gente escrota, gente que nem se lembra de ser gente.
Gente que não pensa, gente que só age, gente que só sente, gente como a gente.
Gente que chora, gente que faz a gente chorar, gente que mente, gente que não gosta de gente, gente que se sente.
Cada quebra-cabeça uma peça, cada xarada uma resposta.
Gente sincera, gente 'composta', composta por várias gente's que se revelam dias após dia.
Cada peça um encaixe, cada xarada uma resposta, cada gente caminhando no caminho que acredita, e gente que não caminha, gente que descrê, gente que crê demais, gente que não existe ou prefere fingir que o mundo é que não existe.

terça-feira, 5 de abril de 2011

De mim, de vocês!

Hoje, faço minhas as suas palavras.

Eu 'simplesmente aceitei'.

Me diz quanto valeria um sorriso agora?

Eu seria capaz de pagar pra tê-lo, se fosse garantido.

Me tornando ouvinte da minha própria estória,

perdida num mundinho que eu mesma criei.

Mas me diga você, porque a noite estava tão estrelada e não mais está?

Porque você sorria das minhas piadas sem graça?

Noite fria, tão fria quanto seu silêncio,

e eu ainda me pergunto, sabe, tenho tantos porquês, na cachola.

Mas tudo bem, não cabe a mim corrigir nada,

quem me dera corrigir meu próprio modo desajeitado,

e quem sou eu pra cobrar?

Eu mesmo estou em débito.

Enquanto todos estavam do lado de lá, eu estava ali,

mas você não olhou pro lado,

preferiu calar,

entreguei minha peça chave,

por medo de jogar, de arriscar

Burrice? Ainda tenho meus princípios.

Princípios idiotas, se ao menos curassem cada cicatriz.

Cansei de buscar respostas,

aliás, até me esqueci das perguntas.

Você deveria saber que quando deito pra dormir minha memória me castiga, e eu penso nos motivos que fizeram a vida te levar tão cedo,

e penso que nem tive tempo de te dizer adeus,

penso porque tudo se encaixou tão bem aos outros e eu perdi minhas peças.

Sabe, quando eu fecho meus olhos eu só tento esquecer tudo e sorrir amareladamente no dia seguinte.

Tempo, tu que és tão mestre,

porque não me disseste que iria demorar a passar?

Agora fazem dois anos, um e meio, três meses.

E tudo passou assim, despercebido, vagaroso.

Queria mais daqueles 14 anos, daquele cheiro de orvalho e olhos verde mel,

mais daquela areia no parque escuro, mais corações rabiscados por um par de all star,

mais daquelas ligações inesperadas só pra dizer que estava com saudade,

um pouco de tudo, um tudo de mim,

que carrego no espaço que falta, um pedaço carregado por cada uma das partes,

a vida faz poesia e arte,

faz um cenário pro encaixe,

mas quem dera se ainda tivesse alguma parte aqui.

Se foi cedo demais,

ou por um erro em vão

e tem aqueles que vão embora sem nenhuma explicação,

Bem certo, não nos disseram que seria fácil,

aliás o difícil tem um sorriso atrente,

o que seria da gente se aquele beijo saísse de primeira?

E as histórias seriam besteiras, clichês demais.

Bem certo quem diz que o pra sempre não existe,

assim como quem diz que tudo passa.

Tudo acontecia enquanto eu fechava os olhos,

o que dizer do depois, além de 'vai ficar tudo bem'?

Conselhos em vão, saudade, escravização,

pensamento positivo? Eis a questão.

Cadê você me dizendo pra confiar?

Onde estão seus olhos cheios de verdade?

Porque some quando eu preciso?

Tanto ponto de interrogação,

quanta coisa que diz tudo mas não posso ouvir?

Me finjo assim surda, muda, cega.





domingo, 3 de abril de 2011

Só Sorria!

Então acorda. Acorda que o dia nasceu bonito. Põe um sorriso no rosto, cansei desse olhar aflito, Vamos andando, sem nos preocupar com mais nada, Larga a preocupação no caminho, bem. Deixa por lá o medo do que os outros pensam também. Acredito que melhor não há, e se você está feliz, pra que se importar? Isso é novo sim, mais pra você do que pra mim, então vamos, meus olhos já estão se fechando, o sono do fim de festa tá me pegando. A noite, a música, o frio, aaah o frio, a conversa de boteco, a mentira sincera, o olhar atento, a opinião e a opção. E as histórias, e o refrão? De momentos e músicas o tempo voa, de fato não erramos, está mesmo longe de acontecer, 'reacontecer', 'pera lá', isso existe? Existe! Existe pra quem não desiste, meu bem, que mal tem viver assim, sem rumo, esperando que o futuro nos sorria, Ele já sorriu, mas a gente nem viu, a noite estava escura e o frio era intenso, mas que tenso, acordar assim, só com as lembranças. Sobre o que falávamos? Bom deixa pra lá. Só me deseje um bom dia quando acordar, a porta pode bater ou só encostar, Não precisa sair de fininho e nem prometer que vai voltar, só me sorria se esse dia chegar.


E se você puder me olhar, se você quiser me achar...