terça-feira, 19 de julho de 2011

eXtremos!

a hora da alegria
a hora da tristeza,
a madrugada quente,
a tarde fria, gelada
A voz tremula,
a garganta 'enozada'
palavras não ditas,
na cabeça pensadas,
e a cabeça pesada,
que se deita sobre o travesseiro,
mais um dia passageiro,
que passou meio sem jeito,
sozinha em seu leito, deixou o ontem voltar
mas na verdade ele nem voltou,
o que voltou foi o pensamento,
mas amanhã o sol vem lento
e leva-o pra trazer de novo em momento certo,
mas se não houver momento certo,
coração aberto, vai entender,
e se de novo não entender,
dessa vez não irá esmudecer
E assim vai crer,
que tudo não passou de sonho,
um sonho intenso,
que se teve o prazer de sonhar.




[Mas nada vai conseguir mudar o que ficou...]

domingo, 17 de julho de 2011

Yesterday ?!

'I long for yesterday'

Um pensamento vago,
saudade de outrora,
Um dia silencioso,
Chuva lá fora,
chove aqui dentro também,
recordações que sempre vem,
Um dia cheio de vazio,
e o tédio virou quase que um remédio,
remédio pra aliviar em palavras a saudade que me acomete
quando esse mal tempo acontece.


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sexta-feira, 15 de julho de 2011

O dia chega...

'Esclarecida, estava exposto em sua face que cansou dos esconderijos, embora certa vez, de trás de uma porta, fora bastante convidativo.'

Queria ela perder a memória a arrancar o passado dos seus dias novos. Tão novos que percorria o mesmo trajeto, usava o mesmo suéter, o mesmo par de tênis all star, o mesmo olhar de sempre escondido por trás de uma lente embaçada, a mesma lente embaçada, mas queria crer que havia mudado e ninguém seria tolo de dizer-lhe o contrário.
Seguia seu emocionante caminho monótono, numa cidadezinha mais monótona ainda. Mas certo dia acordou num lugar diferente, cercada de gente por todos os lados, uma bagunça, verdadeira confulsão, organizada de certo modo.
O seu sorriso abriu, o óculos caiu e a bochecha corou, olhou em frente outros olhos tímidos que no princípio desviavam os seus, bochechas vermelhas pra combinar um pouco com as dela talvez, seguiram o caminho procurando dar fim a timidez.
A tela grande, o lugar todo escuro, o cenário perfeito com uma platéia mínima e um filme bastante complexo ou talvez não fazia nexo querer mesmo ver o filme. Esperou uma aproximação, foi o que teve então, uma chegada tímida, e os lábios se tocaram, os dedos encaixaram e certamente os corações dispararam. (ou assim já estavam)
O quarto na penumbra, os tênis jogados de qualquer forma no canto, e o dia veio tão rápido que não deu nem tempo de dormir. Estavam assim, se completando, conhecendo o que já conheciam há tempos, mas enfim levando isso a um rumo que nunca havia existido anteriormente.
Escrevia poemas e tinha um blog, tinha porquinhos da índia como bichinhos de estimação e morava sozinha. Uma negação na cozinha, e cozinhava com todo carinho. Trabalhava o dia todo e descansava a noite, estudava o dia todo e estudava um pouco mais a noite. Mora aqui, mora láá. Mpb e Rock'n Roll, Rock'n Roll e mais Rock'n Roll, é, vem dando certo desde então, a menina que queria mudar o mundo, deixou seu mundo ser mudado por alguém.




'tudo que eu sempre quis tava ali, você chegou'

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aconchego

Sento na poltrona e ligo a vitrola empoeirada que fica lá no canto escuro, aconchegante. As músicas de outrora não se repetem mais e nem a voz que as canta não me trás a emoção que trazia. Viro o disco e a mesma coisa, nada mudou, ou melhor tudo mudou.


No meu cantinho eu fico, sozinha. As vezes busco aconchego em outros cantos, cantos que não me pertencem mais.


Ali no cantinho, colo meu ouvido no rádio velho e espero pacientemente que a canção toque novamente. Nunca me vi tão otimista, mesmo sabendo da verdade...






again.

Acordei bem cedo hoje, talvez pela ausência do sono, ou pelo fato das idéias martelarem demais minha cabeça.
Organizei as coisas ao meu redor, e reorganizei minhas formas de pensar, de agir, sentir.
Juntei tudo numa caixa, razoavelmente pequena, enfim, mas coloquei ali dentro tudo que restou em mim. Sabe não me restou, rancor e nenhum sentimento ruim, que machucasse, além é claro da saudade, mas no fim ela nem é a vilã, porque somos capazes de sentir saudade somente do que realmente marcou, e tudo isso que se repetidamente cansa.
Engraçado é ver o clarear das coisas quando a nuvem negra passa, quando o 'tornado' leva as idéias ruins. Engraçado mesmo é ver que você parou aqui, de novo. *-*
Vira e mexe, a gente se junta, se monta, volta, muda velhos hábitos, adota novos, conhece pessoas novas, volta às velhas e boas, e sobre o amor, tenho a dizer-lhe que é uma caixa de surpresas a cada dia.
E que bom te ter aqui, seja bem vinda, de novo!

domingo, 8 de maio de 2011

Mónologo da amnésia

De mim, não lembro nada.
Lembro sim que bati a cabeça naquela noite enquanto voltava de um bar.
Lembro que a noite caia triste e o sol já mostrava os primeiros raios.
Sei também que carregava uma espécie de caixa, essa ao lado da minha cama.
Lembro vagamente de ter visto um olhar e um sorriso sincero, sincero, sincero.
Aos poucos me lembro, mas por enquanto, me deixe dormir, me deixe interpretar e assim fingir que bati a cabeça com tanta intensidade capaz de apagar as lembranças. (Seguras lembranças). Me deixe, deixe...
Deixe fazer meu monólogo, meu teatro, me deixe calar quando eu sentir necessidade, mas por favor deixe eu me expressar, porque sou gente, e necessito.
Lembro que carreguei essa caixa pesada por cada canto e lembro de alguém ter me dito certa vez que me achava muito 'forte', apesar do meu porte. Lembro que me disseram pra acreditar, pra esperar, mas chega de perguntas, não lembro de mais nada, por favor se retire e apague essa luz, eu lembro que a intensidade dela ofusca meus olhos, e minha visão já está meio atrapalhada.
Anda logo, tá olhando o quê?

Gente.

Tanta gente vazia, tanta gente cheia, cheia de si própria,
procurando um complemento pros seus dias, buscando o desconhecido, só por acreditar que não se pode completar-se sozinho.
Tanta coleção de histórias, dores, cicatrizes compartilhadas noite a fora.
Gente louca, gente escrota, gente que nem se lembra de ser gente.
Gente que não pensa, gente que só age, gente que só sente, gente como a gente.
Gente que chora, gente que faz a gente chorar, gente que mente, gente que não gosta de gente, gente que se sente.
Cada quebra-cabeça uma peça, cada xarada uma resposta.
Gente sincera, gente 'composta', composta por várias gente's que se revelam dias após dia.
Cada peça um encaixe, cada xarada uma resposta, cada gente caminhando no caminho que acredita, e gente que não caminha, gente que descrê, gente que crê demais, gente que não existe ou prefere fingir que o mundo é que não existe.