domingo, 8 de janeiro de 2012

Pedaços.

Juntando pedaços que nunca me pertenceram,

e fixando idéias na cabeça diariamente,

Seu sorriso na estante, num instante se tornou tão raro,

as cores lá fora mudaram,

nada modificou aqui dentro, porém.

Ela vive em mim, a esperança, acho que perdeu seu lar e achou conveniente me visitar

diariamente, volta e meia trás com ela a solidão para uma xícara de chá.

Procurando motivos, desculpas, assuntos inúteis para uma conversa tímida,

ganhando migalhas e satisfazendo-me com isso,

Pensamentos soltos, já é madrugada,

passos solitários pela mesma calçada,

olhar para os lados e dar a mão às sombras.

Ontem choveu, mas podemos criar um sol no céu cinza hoje,

ou podemos brincar de sério e perder mais uns dias,

desfazer a poesia que cantavamos num refrão,

podemos levar tudo ao pé da letra e fazer desfeita ao coração,

ou imaginar que tudo um dia volta, então.

juntar os pedaços e acertar o relógio,

deixar o mundo girar, a vida se encaixar,

e carregar consigo a certeza de que ontem valeu a pena.





'Subtamente se afaste.'

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mundo Lúdico.

Um arco-íris cintilante,
um mar de águas que desaguam no abismo,

o abismo de medo, desse mundo lúdico

que eu mesmo criei pra sair dos dias de sobriedade,

pra distrair a saudade que cai sobre mim em forma de chuva fria,

refresca na mesma medida que faz mal,

Mas vamos vivendo, disfarçando a verdade,

escondendo a saudade debaixo de olhos baixos,

Vamos seguindo e com a mentira sorrindo, fingindo não estar só,

dando as mãos à solidão e idealizando ser um par,

e presos nesse mundo fantasioso, fazemos os dias durarem mais,

revertemos o desespero, façamos tudo com exagero pra nos sentirmos melhor.

Mais abraços preenchidos, e menos noites vazias,

mais sorrisos sinceros e menos covardia,

mais amor, do que dor,

a mesma dor que cega e cala, a dor que vai esmagando aos pouquinhos,

mais dias no ano, mais primavera e verão,

eu quero mais, bem mais desse mundo lúdico,

menos realidade e mais ficção,

menos teoria e mais coração,

E amanhã, quando eu for me deitar, quero estar de novo lá,

no meu mundo inventado,

que me protege de qualquer sombra,

e que me assombra por ser tão perfeito.






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Caminho Torto!

Pelo caminho, tropicando,
devo ter esquecido-me de amarrar bem os sapatos,
ou como dizem, devo ter 'dois pés esquerdos',
o fato é que sei para onde seguir, mas não faço idéia de como começar.
Um abraço, um sorriso, um pedido,
e eu acabei cedendo, é mais forte, entende?
Também já não faço questão,
quero que acabe esse dia, que chegue o clarão,
que leve embora essa escuridão e todo esse sentimento vago,
quero também um afago, pra lembrar dos tempos velhos,
aí já não quero mais nada, já vou indo,
seguindo, nessa estrada com dois pés tortos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LadOaLadO

Já não havia pra onde correr, decidiram então cada um ir pro seu lado, trilhar seu próprio caminho. Mal sabiam que a vida os levaria sempre ao mesmo ponto, como num reencontro desses filmes bem clichês. Noites frias, conversas cheias da nostalgia, e uma cobertura espessa de saudade, era vísivel, seus olhos expressavam bem a agonia de estar distante de certa forma, de querer e não ter, querer e não poder esquecer.
O tempo foi companheiro, digo, em partes. Se fez necessário, mas pisou firme, machucou quando pôde.


[Bom, ela nao vai lhe contar isso tao cedo, e que não saia daqui, mas toda noite quando vai se deitar, carrega consigo um pedaço seu, nos seus sussuros eu consigo ouvir seu nome em pequenas preces, e os sorrisos deixam claro que é de voce que fala, ela pede que seja breve, que não se prolongue, que o tempo seja justo e que ela possa ser tolerante.]


Um foi pra um lado e pulou no primeiro bonde que passou, olhou várias vezes para trás, mas seguiu. O outro lado também, não perdeu tempo, não deixou 'ficar pra trás', porém pulou cedo demais pra fora, ficou deslocado novamente.

Hora bem, outras nem tanto, o tempo voou, mas cada minuto foi sentido intensamente, a estrada foi longa, mas a convicção veio ao fim de tarde, já era hora dos pequenos passageiros voltarem ao ponto de partida, desfazer tudo como um relógio andando pra trás, como um vídeo sendo voltado de trás pra frente.

E o desfecho não se sabe, é um caminho muito longo, melhor sentar bem acomodado pra ver no que dá, mas que seja pra valer e que siga pelas melhores trilhas possíveis.







'mas, o verdadeiro amor espera, uma vez mais.'

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Breve.

Tão breve tornou-se apenas lembrança,
não houve como evitar,
as mãos estavam muito ocupadas segurando algo que mais tarde tornara mais importante.
Agora eu queria que você estivesse aqui,
As vezes somente as suas palavras acalmariam um dia conturbado,
seu timbre, sua voz.
São coisas pequenas que fazem falta,
suas roupas jogadas pela casa,
seus versos, conselhos, seu colo,
até o seu silêncio.
Tempo, seja breve.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Saudade!

Saudade cortante,
de tempos passados,
muito bem guardados, na memória de quem os tem.
Saudade massacrante,
de tempos distantes, onde sorrir nunca foi pecado,
e onde querer bem não significava algemar-se.
Saudade do ontem, do hoje que passou tão rápido,
saudade até do que ainda não vi, nem vivi,
saudade veio firme,
se enterrou e disse que não vai embora cedo,
Saudade, o que te cura,
se não a loucura do tempo que insiste em se arrastar?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Persistência.


Tocou o telefone no meio da madrugada, e uma voz triste do outro lado da linha disse que ainda sentia saudades.




Saiu quieta, apagou as luzes e deu passos cuidadosos em direção a porta. No meio do caminho pensou por várias vezes em voltar, se realmente ainda haveria alguma chance, e foi.
O frio de agosto, a chuva de terça, a escuridão do passado, era uma parte da sua história que preferia manter como havia ficado, em pedaços, pequenos fragmentos contando histórias grandiosas, de noites sem fim e adeus dados sem vontade.
Em cada degrau que descia, se perguntava se estava fazendo a coisa certa, se deveria mesmo dar uma chance, mas persistiu.
Não deixou nada, nem telefone, nem endereço e muito menos notícias de pra onde iria, somente levou algumas coisas, roupas, pertences, e toda a nossa história.
Recolhi algumas roupas velhas, juntei os discos do chão e tentei coloca-los em ordem, coisa que fiz horas mais tarde comigo mesma, afinal havia se passado tempos, e nada além da sensação de impotência e falta de vigor.
Seguimos o curso, eu aqui e você, sei lá onde, seguimos, espero.
Toda noite vozes silenciosas me diziam que você iria voltar, com um olho no relógio e outro no telefone, eu esperei.
Tentei refazer a cena daquele dia, refiz o seu trajeto, mas não consegui captar a sua rota, nem o porquê da sua partida, mas permaneci ali nos mesmos degraus que você desceu sem saber se queria voltar. E acho que por cansaço ou ressaca moral, acabei dormindo por ali mesmo, quando ouvi algum barulho que eu esperava há tanto tempo, tocou o telefone no meio da madrugada, e uma voz triste do outro lado da linha disse que ainda sentia saudades. Ao fim da conversa, desliguei o telefone e corri até a escada na esperança de vê-la subindo novamente, mas foi persistente, ligou mesmo pra deixar a saudade ainda maior.


ainda tem você na sala (♪)