segunda-feira, 26 de março de 2012

A voz gelada e a mão trêmula ?!

É saudade, é má vontade,
é tristeza recalcada, vontade resguardada,
noite de afago, silêncio matinal,
entreolhares, entrelinhas.
Passado, presente, cruzamento involuntário,
passos decididos, retorno incerto,
a voz trêmula e a mão gelada,
o sussurro doce, e o grito cortante,
o vazio do nosso espaço, o dia cheio de lembranças,
pensamento voando, as horas se arrastando,
um diário de desejos e uma caixa de silêncio,
um tormento, e um incenso aceso no quarto,
uma prece, que a saudade vá embora,
leve, entre outros, a dor e a memória,
vá já se embora, que aqui não lhe convém mais ficar,
Dia vago e barulhento, já não se ouve os alheio,
somente ficou a voz trêmula, na memória gravada,
a mão gelada, registrada no arrepio da noite
perdida nos dias do calendário.

quinta-feira, 1 de março de 2012

moments.

Calmamente passou o linkpaper por cima
da letra cursiva, do papel decorado.
Dobrou cuidadosamente, e com estilo,
arremessou-o na lixeira.
O pedacinho mal cortado que havia destacado
guardou no bolso, pareceu insignificante,
mas ali haviam momentos,
contados num refrão.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Today.

É pesada, toda essa verdade que ninguém nunca disse,
todo esse nada que se intensificou,
sufocante agonia de carregar consigo o desconhecido
de esperar o dia que não foi prometido,
Mas hoje é o meu melhor,
hoje é o melhor, sem esperar nada mais.
Sem corridas desesperadas, sem desencontros,
hoje é o melhor, vou viver pra mim,
deixar a chuva molhar meus pés, e mostrar que tenho chão
sorrir ao espelho e caminhar com a sombra.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Fantasioso.


Um jeito misterioso de fantasiar segredos que não existem,
e um lado até então desconhecido,
- conheci naquela noite.
Um amor que me abriga, mas obriga a não deixar partir,
não parte saudade, e predomina vontade,
sincera vontade de ir, mas de impedir que se vá.
Um filme se eu fechar os olhos, e um disparo único quando os abro.




Foi assim que saiu da minha vida, contando os passos e sem olhar pra trás.
Em cada passo de distância, um aperto no coração. Senti-o despedaçar em pequenos pedaços lentamente, pedaços que eu não poderia juntar, não naquele momento.
As marcas ficaram, na areia molhada da praça, na calçada que trilhávamos, na casa vazia e aqui dentro, a sua ausência se tornou tão imensa que deixou de caber só em mim e nos meus dias cinzas, se espalhou por todos os cantos.
O tempo passou, rastejando, mas passou, como diriam que iria acontecer, e eu abri meus olhos como quem abre uma janela num dia claro de verão, tipico verão de praia artificial.
A maquiagem acabou, e a máscara caiu, assim como os assuntos inacabados se desfizeram no nada, como a vontade se resguardou, e a vaidade cansou.
Pode ser verdade, deve ter chego mesmo o final, a outra hipótese é
que você até desejava voltar, mas apenas esqueceu o caminho ou resguardou sua vontade junto à minha.
Regras ditadas por inconsequentes, e um jogo que não leva a nada, tragédias e esquecimentos que parecem enormes, mas somente na cabeça de quem os fantasia.
Veja só, nossos nomes na velha árvore já não existem, aliás, o que fizeram com a árvore? Certamente virou pó, como as juras que fizemos, como os poucos dias qu
e tivemos, como algo realmente frágil e fácil de acabar.
O tempo azedou, não há mais expectativas, as marcas porém ficaram na areia do parque desde então.






domingo, 8 de janeiro de 2012

Pedaços.

Juntando pedaços que nunca me pertenceram,

e fixando idéias na cabeça diariamente,

Seu sorriso na estante, num instante se tornou tão raro,

as cores lá fora mudaram,

nada modificou aqui dentro, porém.

Ela vive em mim, a esperança, acho que perdeu seu lar e achou conveniente me visitar

diariamente, volta e meia trás com ela a solidão para uma xícara de chá.

Procurando motivos, desculpas, assuntos inúteis para uma conversa tímida,

ganhando migalhas e satisfazendo-me com isso,

Pensamentos soltos, já é madrugada,

passos solitários pela mesma calçada,

olhar para os lados e dar a mão às sombras.

Ontem choveu, mas podemos criar um sol no céu cinza hoje,

ou podemos brincar de sério e perder mais uns dias,

desfazer a poesia que cantavamos num refrão,

podemos levar tudo ao pé da letra e fazer desfeita ao coração,

ou imaginar que tudo um dia volta, então.

juntar os pedaços e acertar o relógio,

deixar o mundo girar, a vida se encaixar,

e carregar consigo a certeza de que ontem valeu a pena.





'Subtamente se afaste.'

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mundo Lúdico.

Um arco-íris cintilante,
um mar de águas que desaguam no abismo,

o abismo de medo, desse mundo lúdico

que eu mesmo criei pra sair dos dias de sobriedade,

pra distrair a saudade que cai sobre mim em forma de chuva fria,

refresca na mesma medida que faz mal,

Mas vamos vivendo, disfarçando a verdade,

escondendo a saudade debaixo de olhos baixos,

Vamos seguindo e com a mentira sorrindo, fingindo não estar só,

dando as mãos à solidão e idealizando ser um par,

e presos nesse mundo fantasioso, fazemos os dias durarem mais,

revertemos o desespero, façamos tudo com exagero pra nos sentirmos melhor.

Mais abraços preenchidos, e menos noites vazias,

mais sorrisos sinceros e menos covardia,

mais amor, do que dor,

a mesma dor que cega e cala, a dor que vai esmagando aos pouquinhos,

mais dias no ano, mais primavera e verão,

eu quero mais, bem mais desse mundo lúdico,

menos realidade e mais ficção,

menos teoria e mais coração,

E amanhã, quando eu for me deitar, quero estar de novo lá,

no meu mundo inventado,

que me protege de qualquer sombra,

e que me assombra por ser tão perfeito.






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Caminho Torto!

Pelo caminho, tropicando,
devo ter esquecido-me de amarrar bem os sapatos,
ou como dizem, devo ter 'dois pés esquerdos',
o fato é que sei para onde seguir, mas não faço idéia de como começar.
Um abraço, um sorriso, um pedido,
e eu acabei cedendo, é mais forte, entende?
Também já não faço questão,
quero que acabe esse dia, que chegue o clarão,
que leve embora essa escuridão e todo esse sentimento vago,
quero também um afago, pra lembrar dos tempos velhos,
aí já não quero mais nada, já vou indo,
seguindo, nessa estrada com dois pés tortos.