domingo, 13 de março de 2011

Vazio!

Acordei cedo, num pulo só.
Sem pensar em nada, fui extintivamente até a janela, velho hábito que tenho desde sempre.
Observei o céu ainda escuro, nas poças de chuva na rua a lua ainda refletia.
A cama bagunçada atrás de mim poderia definir o que se passava no meu interior, bagunça. Poderia chamar transtorno pra alguns, carência pra outros, mas pra mim se definia em uma só palavra: vazio.
O vazio em questão pode encaminhar-se a mil significados, o vazio é cheio por outro ângulo. Mas ali naquele quarto cor de penumbra o vazio cabia em qualquer canto, qualquer pedaço. Cabia desde em cima da cama como nos retratos pendurados na parede, desde o sofá cheio de roupas até o meu olhar perdido, tentando encontrar teus passos pela rua molhada.
Vazio era meu pensamento sem você por perto e mais vazio ainda eram as explicações, vazia e inexistentes. A única parte não vazia era aquilo que eu ainda carregava e mantinha vivo dentro de mim, como se cuidasse de uma vida frágil, porém de fragilidade não havia nada, era bem mais forte que quem o cuidava.
Se foi assim, silenciosamente, sem me dar explicações, me abandonou como se abandona uma criança na estação de trem, sem rumo, sem acreditar, acordei sozinha mais uma vez.
E o vazio? Bom espero que carregue um pouco dele na sua mala, porque de vazio eu já estou farta.


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